segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Neil Gaiman rules!



Eu gosto de ler coisinhas divertidas tipo Harry Potter, Crepúsculo e afins. Mas o legal mesmo é a literatura mais densa... Por exemplo, Neil Gaiman. Vou postar aqui um continho do livro Fumaça e Espelhos. Inclusive fiquei muito contente de encontrar esse texto no blog sonhosteoriaseoalavras.blogspot.com postado pelo Arlequim Soviético.


Sestina do vampiro

Espero aqui, nas fronteiras do sonho,
todo envolto em sombra. O ar escuro tem gosto de noite,
tão frio e vivificante, e espero pelo meu amor.
A lua alveja a cor da sua lápide.
Ela virá e, então, difundiremos neste belo mundo
vivo a escuridão e o ressabio de sangue.

É um jogo solitário, a procura de sangue,
mesmo assim, um corpo tem o direito ao sonho
e não desistiria por todo o mundo.
A lua sangrou a escuridão da noite.
Permaneço nas sombras, fitando sua lápide:
Ressuscite, meu amor... Oh, ressuscita, meu amor?

Sonhei com você enquanto hoje dormia e o amor
significou mais para mim do que a vida – significou mais
[do que sangue.
A luz do sol buscou-me, fundo sob minha lápide,
mais morto do que qualquer cadáver, mas ainda um sonho
até eu acordar feito vapor na noite
e o pôr-do-sol me forçar a sair pelo mundo.

Por muitos séculos ando pelo mundo
repartindo algo que se assemelha ao amor –
um beijo roubado e, então, de volta na noite,
contente pela vida e pelo sangue.
E vem a manhã e eu era só um sonho,
corpo frio congelando debaixo de uma lápide.

Disse que não iria machucá-la. Seria eu uma lápide
para deixá-la vítima do tempo e do mundo?
Ofereci-lhe a verdade além de seu maior sonho
enquanto tudo o que você tinha a oferecer era o seu amor.
Disse-lhe para não se preocupar e que o sangue
tem gosto mais doce na asa e tarde da noite.

Algumas vezes, minhas amantes erguem-se para caminhar à noite...
algumas vezes, deitam-se, cadáver frio debaixo de uma lápide,
e nunca conhecem as alegrias da cama e do sangue,
de andar pelas sombras do mundo;
em vez disso, apodrecem aos vermes. Oh, meu amor,
sussurram que você se ergueu, em meu sonho.

Esperei ao lado da sua lápide metade de noite,
mas você não deixou seu sonho para caçar sangue.
Boa noite, meu amor. Ofereci-lhe o mundo.

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