terça-feira, 3 de junho de 2008

"Quindins na Portaria"

Well, agora é a vez da ota ermã postar alguma coisa.


Pra começar, recebi esse texto hoje de uma amiga e achei o máximo. Comecei a pensar quem teria escrito, já que o e-mail veio sem os devidos créditos. Resolvi procurar de quem era e aí me caiu os butiá. Achei que fosse uma coisa suuuper inédita, mas não... fui ver que um monte de gente já tinha publicado e é um texto antiguinho até. Ah, e o texto, é claro, é da impagável Martha Medeiros...
Mesmo não sendo nenhuma novidade (pra mim foi, hehe), vou publicar de novo pra quem quiser ler, porque eu concordo plenamente com tudo isso que ela diz aí... Enjoy!



"Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana:'Para estar ao lado sem pesar com a presença'.
Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura. Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados. Eu bato na porta antes de entrar no quarto do meu filho e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.

Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone. Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.
Pessoas estão jantando.
Pessoas estão preocupadas.
Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.
Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando.
Avise que está a caminho.
Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá. Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade. Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas. Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo? Nem se discute que o encontro é sagrado. Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.
Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.
Quando mando flores, vou junto com o cartão.
Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço."

2 comentários:

Anônimo disse...

Ermã! Bem-vinda, Sis!
Adorei o texto.
Acho uma grosseria as pessoas serem invasivas. Poxa, não custa nada dar uma ligadinha, mandar um emailzinho, né?
Tem formas tão carinhosas de se fazer presente, mas os chatos de plantão não tem "a peça" hihihih.

Anônimo disse...

Dozinhas amadas! Lindo este texto da MMedeiros, como sempre dizendo a coisa certa. Mas não perder o costume, vou "me" adquirir o livro do Paulo Hecker Filho, que como bom gaúcho, escreve tri bem.
Congrats pelo blog, gremlins of my heart! Bjus
Mom